09.10.2019 | 15h:07
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Dante teria feito repasse extra à Assembleia para pagar dívida com Arcanjo

DA REDAÇÃO

RAFAEL MACHADO

O documento de suposta proposta de delação, do ex-deputado estadual José Riva, ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), aponta um esquema combinado junto ao ex-governador (falecido) Dante de Oliveira que, segundo o ex-deputado, teria repassado valores a mais ao orçamento da Assembleia Legislativa para quitar dívidas feitas pelos deputados, com o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro e outras empresas de factoring, no montante de aproximadamente R$ 25 milhões.

Segundo Riva, Dante atendeu ao pedido dele, que na época era presidente da Assembleia, devido ao interesse em ter o então deputado Humberto Bosaipo, que seria primeiro secretário do Legislativo, como aliado político.

Ato contínuo, tendo em vista o interesse do Governador reeleito em ter Humberto Bosaipo como aliado político, restou firmado o compromisso em repassar os valores pleiteados pela Mesa Diretora da ALMT, o que foi de fato viabilizado pela equipe econômica do governo estadual, sob a condição do Dep. Humberto Bosaipo anuir com os principais projetos do Governo”, diz trecho da suposta proposta de delação.

 

Conforme o documento, a proposta teria sido feita por Bosaipo que teria dito: Presidente, encontrei uma forma de liquidar as contas com o Sr. Arcanjo e outras factorings, sendo que eles mesmos ficarão responsáveis em constituir empresas que, além de dar suporte para esses pagamentos, ainda fornecerão uma quantidade mínima de materiais para a ALMT”.

Riva teria realizado em conjunto de Bosaipo uma reunião com o então governador Dante de Oliveira, para assegurar recursos para pagamento das dívidas contraídas junto ao João Arcanjo e outra empresas de factorings, além do recurso necessário para funcionamento da Assembleia.

"Sendo assim, o acordo fechado consistia na liberação, por parte do Governador Dante de Oliveira, além do orçamento já aprovado, de mais R$ XXXXXX (XXXXXXX), sendo que R$ XXXX (XXXXX) foram destinados somente para o pagamento da dívida pertencente ao Sr. João Arcanjo Ribeiro, oportunidade na qual foram emitidas XXX (XXXXX) notas promissórias no valor de R$ XXXXXX (XXXXX) cada uma, para pagamento em XXXX (XXXX) meses, tendo o Sr. Guilherme Garcia confirmado à época ao Colaborador que o Sr. XXXX havia confirmado com ele o recebimento do ofício da SEFAZ, comprometendo-se em fazer o repasse extra de R$XXXXXX reais mensais para saldar as NPs emitidas", destaca tercho do documento.

 

De acordo com o documento, Arcanjo era detentor de 70% da dívida da Assembleia Legislativa e nunca teria devolvido as promissórias pagas.

A suposta proposta de delação também aponta a criação de uma série de empresas fantasma para pagar as dívidas da Assembleia com a factoring de Arcanjo.

"Empresas constituídas em nome de interpostas pessoas e até mesmo de indivíduos já falecidos que deram suporte aos pagamentos efetuados ao Sr. João Arcanjo Ribeiro e outros credores, além de servir para fazer novos empréstimos”.

Ele comenta que foram criadas inúmeras empresas por pessoas ligadas a Bosaipo que estariam atuando por determinação de João Arcanjo, Nilson Roberto e Nivaldo de Araújo “com conhecimento inequívoco e participação efetiva dos Srs. Guilherme Garcia e Luiz Eugenio de Godoy que levavam os cheques já preenchidos para a assinatura da mesa diretora”.