Exibido em: 12.02.2020
CASSAÇÃO VIROU TRUNFO

Analistas: Senado usa Selma para medir forças com o Judiciário

Conexão Poder

DA REDAÇÃO

Os cientistas políticos, João Edisom e Onofre Ribeiro, em análise ao Conexão Poder, comentam sobre a escolha do relator e o rito do processo de defesa da senadora Selma Arruda (Podemos), que teve o mandato cassado e para eles servirá de trunfo para mostrar ao Judiciário que o Senado também tem poder e pode ter decisão contrária à determinação dada por eles sobre a retirada da parlamentar do posto máximo do Legislativo.

O Senado pode definir se afasta ou não Selma Arruda e com isso pode validar ou derrubar todas as decisões do Judiciário.

“Querem falar agora o jogo está na nossa mão. A gente vai mostrar para a sociedade brasileira que vocês não são os poderosos do mundo. Assim fazem a política de desvalorização do Judiciário; já que o Judiciário desvaloriza tanto político, o político quando tem uma oportunidade está fazendo isso”, disse João Edisom que pondera que apesar de haver esse enfrentamento, ele crê que o Senado não vá levar até as últimas consequências.

“Então estamos lidando com uma situação delicada, que vai dar conflito de poderes. (...) A Selma pode ficar, pode não ficar e ela pode ficar em caráter precário”, avalia Onofre Ribeiro que pontua: “A vida de Selma vai ficar mais confusa ainda”.

Quando à escolha do senador Eduardo Gomes (MDB), que é líder do governo Bolsonaro, ambos os analistas consideram que isso não influencia nem forma positiva e nem negativa para Selma.

“O Senado vai se utilizar para dar um recado ao Judiciário (...) Ela se tornou um joguete na mão deles”, disse João Edisom.

Ainda para os analistas, o processo de análise da cassação de Selma Arruda deve ser protelado pelos membros da Mesa Diretora enquanto for interessante para eles, em “jogo de esperteza”.

“Então duas coisas acontecem claramente: uma, a determinação de posse do Fávaro fica sob suspense e a cassação da Selma fica sob suspense, porque o Senado pode protelar isso intermitentemente”, conclui Onofre.